...as primeiras palavras não foram palavras foram sombras e foram luzes pintadas em almas em bruto acabadas de nascer. essas palavras não nasceram interpretadas nem vestidas de significados não tinham símbolos escondidos em cada canto do seu ser e quem se deparava com elas surprendia-se com o seu estado de primitivez. as primeiras palavras soavam a ecos de qualquer coisa que já se tinha pretendido dizer ou escrever ou ouvir mas o silêncio era sempre mais forte e mais pesado e o corpo afundava-se nele como âncora em alto mar e em queda livre. as primeiras palavras amarraram o ser à alma e a alma ao resto do mundo...
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...as primeiras palavras não foram palavras foram sombras e foram luzes pintadas em almas em bruto acabadas de nascer. essas palavras não nasceram interpretadas nem vestidas de significados não tinham símbolos escondidos em cada canto do seu ser e quem se deparava com elas surprendia-se com o seu estado de primitivez. as primeiras palavras soavam a ecos de qualquer coisa que já se tinha pretendido dizer ou escrever ou ouvir mas o silêncio era sempre mais forte e mais pesado e o corpo afundava-se nele como âncora em alto mar e em queda livre. as primeiras palavras amarraram o ser à alma e a alma ao resto do mundo...
...das ruínas vermelhas do fim do mundo arde por dentro e por fora o rosto que não se vê no fundo do espelho deitado nas paredes destas almas qual grito assombrado nos limites do horizonte...
...ardem sépia em contornos de luxúria e frustração os sonhos de trazer por casa limpos para debaixo de um gasto cadeirão onde se sentaram todas as dores vindas ao mundo...
...enquanto o pescador deitava o isco ao mar eu era a rede e o peixe apanhados na mão que lança dados apenas num só gesto...bastou um segundo para que me perdesse aqui...
...as estranhas ambições transpiram armadilhas...
mãos próprias cheias de vida e de punhados de morte ao acaso e à sorte moldando o corpo à imagem da mente que mente a si mesma enquanto esconde a verdade a um canto sombrio das palavras dos outros que teima em não escutar por ora usam os fios entre os dedos esticando as vidas como meros fantoches de almas por detrás de almas por detrás de almas por detrás de almas por detrás de almas
...parece que qualquer passo que dou afasta-me a mim mesma para além da carne ousada a alma desprendida e eu não sou eu nem outra como dizia o poeta porque assisto-me impotente na marcha indiferente em cãmara lenta até ao final dos dias de quem quem quer que seja até dos meus e a sombra que pestaneja à luz do fogo do meu olhar não é mais do que um abrir e fechar de olhos que demora uma eternidade até conseguir ver alguma coisa de jeito...defeito meu...
...gosto de chegar ao fim da estrada em que me deito como projecto acabado, derrotado pelo dia-a-dia, cansado, fazendo-se do negro caminho mais um elemento como outro qualquer sem distinção do que fora outrora. Chego ao fim de mim mesma assim deitada, quando desço aos infernos da alma e termino a vida com um baixar de braços rendidos e derrubados porque o peso que trago às costas, é um mundo maior do que aquele que eu devia compreender. Para trás não interessa o que ficou. Para a frente não incomoda o que ainda não aconteceu. Entre um tempo e o outro a consciência de ambos vale tanto como ficar ali deitada a gastar mais uns segundos de vida...
...a única coisa que me destaca é o fio cortado de sangue que se desmonta suavemente da minha pele, separando-me do ontem e do amanhã, sendo que o hoje me faz deambular como fantasma aleatório desdenhando do seu corpo e da sua alma...afinal, quanto deste corpo e quanto desta alma são realmente suas?!...Nada.
Apenas a lenta morte branca da indiferença.
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